Bolsa Família maior acende sinal amarelo nas contas públicas
Mudança no valor do benefício federal coloca o foco na origem dos recursos e na gestão do orçamento.

Já parou para pensar de onde vai sair o dinheiro para bancar o novo valor do principal programa de transferência de renda do país? Essa é a pergunta que não quer calar nos bastidores da economia.
O governo federal oficializou a alteração que eleva o piso do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691, enquanto a média paga aos beneficiários passa de R$ 675 para R$ 777. Com o reajuste anunciado a duas semanas das eleições, especialistas voltaram a debater o timing da medida e os reflexos nas contas públicas.
A economista Deborah Bizarria avaliou que, embora a intenção do programa seja meritória, a discussão sobre a eficácia da política foi deixada de lado ao longo do mandato. Segundo ela, houve avanços pontuais após a revisão do Cadastro Único, mas faltou aprimoramento estrutural.
O governo teve ao longo de quatro anos contato com especialistas, contato com a evidência acadêmica de como poderia ser melhorado o Bolsa Família. E o governo não tem discutido isso ao longo desse mandato inteiro e deixou para oferecer um aumento agora na eleição. Isso me deixou um pouco chocada.
A especialista também apontou que estados têm avançado em experiências de inclusão produtiva que unem renda e qualificação, aproveitando que grande parte dos beneficiários em idade ativa deseja trabalhar mais horas, mas acaba na informalidade para não perder o auxílio.
Por que isso importa pra você
O grande ponto de atenção levantado na área fiscal não é o gasto em si, mas a falta de indicação clara de cortes para compensar a nova despesa. O reajuste previsto terá impacto de R$ 5,8 bilhões em 2026, gerando preocupação sobre a alta de gastos parafiscais que escapam do arcabouço fiscal.
Não tem como ter uma política social bem-sucedida, que gere prosperidade para as pessoas, sem ter um fiscal arrumado.
No fim das contas, a desorganização das contas públicas bate direto no bolso da população mais vulnerável por meio da pressão sobre a inflação e os juros. Queremos saber a sua opinião: como você enxerga essa conta no final do mês? Deixe seu comentário e compartilhe sua experiência com a gente.
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