Brics cobra reforma global e destaca peso do Brasil no cenário multilateral
Documento final da cúpula em Nova Délhi defende mudanças na ONU e reforça o protagonismo de nações emergentes na economia mundial.

Os chefes de Estado e de governo integrantes do bloco Brics divulgaram a declaração oficial que encerra a 18ª Cúpula da coalizão, realizada em Nova Délhi, na Índia. O texto coloca na mesa a urgência de uma reformulação profunda nas estruturas de governança internacional, alinhando as diretrizes de atuação conjunta para os onze países que hoje compõem o grupo geopolítico.
Cenário econômico e representatividade
Atualmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã, o bloco concentra uma fatia monumental do comércio, da população e do Produto Interno Bruto global. Com esse peso demográfico e financeiro, a aliança busca pressionar por um redesenho das regras em instâncias como a Organização das Nações Unidas, o G20 e a Organização Mundial do Comércio, exigindo um tabuleiro geopolítico menos concentrado e mais equilibrado.
O Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido no cenário internacional como o Banco do Brics, foi tratado no documento como a grande ferramenta estratégica para alavancar a infraestrutura e a transição sustentável nas nações emergentes. A orientação dada à instituição financeira é para que amplie a capacidade de captação de recursos, aposte mais em moedas locais e diversifique as origens do dinheiro injetado em projetos de integração econômica.
Prioridades da diplomacia brasileira
Para o governo brasileiro, o ponto nevrálgico do encontro foi a consolidação do pleito por uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU. A cúpula registrou formalmente que potências como China e Rússia endossam o direito de Brasil e Índia ganharem assentos com maior poder de decisão na arquitetura das Nações Unidas, argumentando que a configuração atual reflete um mundo que já não existe.
Reiteramos nosso apoio a uma reforma abrangente da ONU, incluindo seu Conselho de Segurança, com o objetivo de torná-lo mais democrático, representativo, eficaz e eficiente, além de ampliar a representação dos países em desenvolvimento em sua composição.
Desigualdade e combate ao preconceito
O texto consensual também direcionou baterias contra as disparidades socioeconômicas e o avanço de discursos extremistas no planeta. A pauta do Sul Global ganhou tração com cobranças explícitas para que o combate à pobreza extrema dentro da Agenda 2030 da ONU seja tratado como prioridade máxima, superando barreiras comerciais e o protecionismo de economias tradicionais.
Reiteramos a necessidade de intensificar a luta contra o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e formas correlatas de intolerância, bem como a discriminação baseada em religião, fé ou crença, e todas as suas manifestações contemporâneas em todo o mundo, incluindo as preocupantes tendências de aumento dos discursos de ódio, da desinformação e da divulgação de informações falsas.
Por fim, a declaração conjunta empurrou as organizações multilaterais para uma postura mais inclusiva, exigindo maior presença de mulheres em cargos de comando estratégico e firmando compromissos para conter fluxos de inverdades que contaminam o debate público internacional.
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