Câmara avança em novas regras para pacientes renais do SUS
Comissão aprova diretrizes que priorizam atendimento domiciliar e telessaúde para desafogar sistema e reduzir viagens de doentes crônicos.

A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados deu luz verde a um projeto que reformula as diretrizes de atendimento para quem sofre de doenças crônicas no Sistema Único de Saúde. A ideia central gira em torno de facilitar o acesso aos procedimentos e mitigar os percalços geográficos que afetam uma multidão de brasileiros. O assunto bate direto na realidade de Guarulhos e de toda a Região Metropolitana, onde a procura por suporte médico especializado e tratamentos para os rins só faz subir. O texto aprovado empurra a rede pública para priorizar formatos terapêuticos que cortem a necessidade de viagens longas e frequentes dos enfermos.
Foco na diálise peritoneal domiciliar
Entre as principais recomendações está a valorização da diálise peritoneal domiciliar, um método que permite a realização do tratamento na própria residência do paciente. Esta abordagem não apenas melhora a qualidade de vida, mas também representa uma alternativa para desafogar as clínicas de hemodiálise e otimizar recursos.
A medida traz um alívio considerável para quem lida com a doença renal crônica e precisa de sessões contínuas. Fazer o procedimento em casa devolve a autonomia ao indivíduo e diminui o desgaste na rotina familiar, algo valioso em grandes centros urbanos.
Revisão da proposta original
O colegiado debruçou-se sobre o Projeto de Lei 2068/25, endossando um substitutivo apresentado no processo. A ideia inicial previa o direito de pacientes renais serem atendidos em clínicas a uma distância máxima de 50 quilômetros de suas casas. No entanto, barreiras operacionais e financeiras barraram essa imposição geográfica fixa.
A justificativa passou pela complexidade da distribuição dos serviços de diálise no país, que exige respeitar a epidemiologia, a capacidade instalada e a escala assistencial, além de evitar despesas obrigatórias sem o devido respaldo no orçamento da União. O texto final tenta equilibrar a balança entre o direito ao atendimento e a saúde financeira da máquina pública.
Adoção da telessaúde e monitoramento remoto
O substitutivo também autoriza os gestores do SUS a implementarem ações de apoio à distância, como orientações e monitoramento remoto de pacientes. Esta abordagem se articula com as políticas de transporte sanitário já existentes, complementando o cuidado presencial com o uso de tecnologias digitais.
Ferramentas virtuais entram como reforço para o acompanhamento clínico, sobretudo em locais carentes de infraestrutura ou de especialistas. Vale destacar que a eficácia dessas novas diretrizes vai esbarrar diretamente na realidade orçamentária de cada estado e município.
Próximos passos legislativos
Como tramita em caráter conclusivo, a proposta ainda precisa passar pelo crivo de outras instâncias na Câmara, especificamente nas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para virar lei de fato e impactar a rotina de quem precisa de terapia renal pelo Brasil, o texto precisará passar por todas as etapas na Casa e, na sequência, ser avaliado pelo Senado Federal.
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