Calor e temporais ameaçam o futuro de trinta milhões de jovens no país
Levantamento inédito do Unicef revela o impacto de eventos climáticos extremos na rotina de menores de idade em todo o território nacional.

Imagine a rotina de uma criança interrompida de uma hora para a outra por causa da falta d'água, do calor insuportável ou da fumaça de queimadas. Essa é a dura realidade enfrentada por mais de trinta milhões de menores de idade em todo o Brasil, que hoje se encontram na rota de múltiplos perigos ligados às mudanças do clima.
Dados divulgados nesta quinta-feira (8) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância apontam que a sobreposição de secas prolongadas, temperaturas extremas, incêndios florestais e temporais severos coloca em risco o desenvolvimento, a saúde e a educação dessa parcela da população. O cenário acende o alerta máximo, especialmente com o avanço de um fenômeno El Niño de forte intensidade, apontado como um dos mais expressivos desde 1950.
A pesquisa detalha como as intempéries afetam diretamente o dia a dia das famílias. No ano passado, episódios extremos cobraram um preço alto: enchentes avassaladoras no Sul do país prejudicaram a educação de 741 mil estudantes, enquanto, no extremo oposto, a seca severa na região amazônica impactou outros 436 mil jovens, deixando comunidades inteiras sem suprimentos básicos de água e alimentação. Ao todo, mais de 1,1 mil milhão de crianças e adolescentes sofreram com a interrupção das aulas.
Especialistas lembram que o organismo em desenvolvimento torna os mais jovens muito mais vulneráveis à desidratação, à má nutrição e à propagação de doenças associadas às oscilações bruscas do tempo. A rede de atendimento e proteção social também balança quando a crise climática aperta.
Uma seca pode significar falta de água segura, fumaça, dificuldade para chegar à escola ou ao posto de saúde. Uma enchente pode significar escola fechada, vacinação interrompida ou perda da renda da família
Apesar de a atmosfera ainda guardar incertezas sobre o tamanho exato do impacto para este ano, o aviso dos especialistas é claro sobre a necessidade de agir antes que o pior aconteça.
Nós já sabemos que há um El Niño forte em curso e conhecemos os tipos de impacto que podem atingir diferentes regiões. Preparar os serviços agora custa menos, permite responder mais rápido e, principalmente, evita que a emergência climática se transforme em uma emergência para as crianças
Por que isso importa pra você
A crise ambiental não é mais uma projeção distante no futuro; ela bate à porta das famílias e compromete serviços essenciais como saúde, educação e saneamento básico. Acompanhar e cobrar medidas preventivas do poder público é a única forma de blindar as próximas gerações contra os desastres que já transformam a paisagem do país.
Queremos saber a sua opinião sobre esse assunto. Você já percebeu mudanças drásticas no clima da sua região nos últimos meses? Deixe seu comentário e compartilhe este alerta com seus vizinhos e amigos.
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