Disputa em SP: rivais torram milhões em redes antes da largada oficial
Principais nomes ao governo paulista já injetaram quantias expressivas em plataformas digitais durante a fase pré-eleitoral
A corrida pelo Palácio dos Bandeirantes já consome cifras milionárias nas redes sociais bem antes do apito inicial da propaganda oficial. Os dois principais nomes cotados para a chefia do executivo paulista desembolsaram juntos pelo menos R$ 2,2 milhões em impulsionamento de publicidade no Facebook e no Instagram no decorrer de 2026. Os dados emergem de um levantamento baseado na biblioteca de anúncios da Meta, ferramenta que rastreia verbas de marketing político.
Estratégias e volumes financeiros na pré-disputa
Como a plataforma tecnológica não revela o centavo exato investido em cada postagem, optando por trabalhar com faixas de preço, o cálculo final considera sempre o patamar mais conservador de cada intervalo. Mesmo com essa margem de segurança para baixo, o atual ocupante do cargo figura com um dispêndio mínimo de R$ 1,18 milhão, acumulando centenas de peças publicitárias desde janeiro e intensificando a presença digital nos meses antecedentes ao pleito. Do outro lado, o principal adversário petista registra um aporte de pelo menos R$ 1,02 milhão, somando publicações de perfis próprios e inserções bancadas diretamente pelo partido.
Em termos de alcance bruto, a diferença de exibição dos conteúdos também chama a atenção. Os materiais impulsionados pelo grupo governista somaram quase 200 milhões de impressões, enquanto os conteúdos do oposicionista superaram a marca de 113 milhões de visualizações nas telas dos eleitores. Enquanto a gestão atual manteve a torneira dos gastos aberta de forma constante ao longo do ano, a ala petista concentrou praticamente todo o seu volume financeiro a partir de junho, expandindo a artilharia digital na reta final da pré-campanha.
Legalidade e o labirinto da transparência
Pelas normas da Justiça Eleitoral, desembolsos com impulsionamento na fase de pré-campanha não configuram irregularidade, desde que os candidatos evitem o pedido escancarado de votos e mantenham os valores dentro de patamares considerados moderados. Além disso, tais despesas ficam de fora da prestação oficial de contas e não abatem o teto estipulado para a disputa, que foi fixado em R$ 26,6 milhões para o primeiro turno, podendo saltar para R$ 39,9 milhões caso a contenda avance para a segunda etapa.
Especialistas em acompanhamento de dados digitais apontam que a política de opacidade das empresas de tecnologia na exibição de preços por faixas dificulta o escrutínio detalhado por parte da sociedade e dos órgãos de fiscalização. A ausência de parâmetros rígidos impede uma auditoria cirúrgica sobre o destino exato de cada centavo aplicado na internet, mantendo a publicidade política sob um véu de estimativas que nem sempre refletem o total real investido pelos grupos partidários.
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