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CIDADE

Especialista defende regra fixa para reajustar o Bolsa Família

Economista aponta que atualização dos valores perto do período eleitoral gera questionamentos e cobra mais precisão no direcionamento dos recursos

Redação Cafe com Gaza·
Especialista defende regra fixa para reajustar o Bolsa Família

Você já parou para pensar se os reajustes dos programas sociais do governo seguem um planejamento técnico ou se dependem puramente do calendário político? Essa é a discussão que movimenta os debates econômicos pelo país após o anúncio de um acréscimo de 15% nos valores pagos pelo Bolsa Família, calculado com base na inflação acumulada entre março de 2023 e agosto de 2026.

Para Felipe Lobel, professor de economia da Universidade Duke, o principal problema não é o montante investido, mas a falta de previsibilidade. Segundo o estudioso, a ausência de uma regra fixa para a atualização monetária deixa o programa vulnerável a decisões tomadas de forma estratégica no período que antecede as eleições. Ele ressalta que, embora seja natural que iniciativas bem avaliadas tragam retorno político, a assistência à população de baixa renda deveria estar blindada contra o oportunismo.

Não tenho problema com um Bolsa Família dessa magnitude desde que seja bem direcionado. Hoje existem problemas claros de direcionamento de quem recebe o Bolsa Família. Então não endosso o Bolsa Família desenhado do jeito que é hoje. Existem problemas.

Com os novos gastos previstos, o montante destinado ao programa deve alcançar 1,39% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027. Contudo, a crítica central do especialista aponta para falhas estruturais: o desenho atual não prioriza com eficiência as famílias mais vulneráveis e aquelas que possuem maior número de filhos. Como alternativa, ele sugere a redução do benefício básico combinada com o aumento do valor variável por criança, otimizando os resultados sem ampliar o orçamento.

Por que isso importa pra você

O impacto financeiro de medidas como essa mexe diretamente com o orçamento público e com as contas do país, que também precisam lidar com distorções históricas no sistema tributário. Para Lobel, o debate sobre a distribuição de renda precisa caminhar lado a lado com a discussão sobre quem paga impostos no Brasil, avaliando o peso excessivo sobre o consumo e as diferenças na taxação entre o trabalho e o capital.

Queremos saber a sua opinião sobre o assunto. Você acha que o governo deveria adotar uma regra automática para reajustar os benefícios sociais ou a decisão deve continuar nas mãos dos governantes de plantão? Deixe seu comentário e participe da nossa conversa.

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