Lula critica Faria Lima e aponta burocracia em evento na Grande SP
Presidente participou dos 30 anos do MTST em Taboão da Serra neste sábado (8) e defendeu investimentos em moradia popular.
A agenda presidencial na região metropolitana de São Paulo neste sábado, dia 8, foi marcada por cobranças severas direcionadas aos bancos e ao centro financeiro do país. O chefe do Executivo federal esteve presente na cidade de Taboão da Serra para celebrar o aniversário de três décadas do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), aproveitando o palanque para detalhar as diretrizes da política habitacional de sua gestão e expor os entraves que dificultam o acesso a financiamentos para habitação popular.
Burocracia e exigências excessivas
Durante o discurso, o mandatário apontou que o excesso de regras e a rigidez na liberação de crédito funcionam como barreiras intransponíveis para quem realmente precisa comprar uma residência. A falta de regularização fundiária em terrenos de famílias de baixa renda foi citada como um dos principais fatores que travam o processo, mesmo quando o cidadão possui capacidade financeira para arcar com as prestações.
Porque tem muitos problemas para o cara pegar o dinheiro emprestado. Tem muita exigência. Às vezes o cara tem terreno que não está legalizado, a prefeitura não fez a documentação. Ele tem como pagar, mas não consegue, porque tem uma burocracia que não deixa
Críticas ao mercado financeiro
Sem poupar o setor financeiro, o presidente questionou se as lideranças que definem a taxa de juros básica da economia e cobram constantemente por cortes nos gastos públicos possuem qualquer tipo de familiaridade com a realidade enfrentada pela população de periferia. A desconexão entre os indicadores econômicos frios e a vida real dos cidadãos foi o tom principal das críticas direcionadas à Faria Lima.
Ou quando a Faria Lima fica cobrando ajuste fiscal não sei das quantas, eles sabem o que é isso? Eles não têm noção. Porque para eles o pobre é um número, e a diferença é que, pra gente, é um homem e uma mulher
Balanço da habitação e foco nas mulheres
Apesar das críticas ao sistema financeiro, o discurso teve forte tom ufanista em relação aos números do programa habitacional do governo federal. A meta anunciada prevê alcançar a marca de 3 milhões de moradias contratadas até o mês de dezembro. Além disso, foi reafirmada a diretriz de priorizar as mulheres na titularidade dos contratos de entrega das chaves, reforçando o entendimento de que a moradia própria é um direito fundamental garantido pela Constituição.
O evento em solo taboanense também contou com a manifestação pública em prol do fim da jornada de trabalho na escala 6x1, pauta que ganhou tração recente entre os movimentos sociais. A passagem pela Grande São Paulo encerra uma semana de forte movimentação política no estado, que incluiu uma passagem pela sede do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, na sexta-feira (7).
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