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CIDADE

Agosto Lilás: o peso de romper com a violência em Guarulhos

Quase vinte anos após a criação da Lei Maria da Penha, especialistas detalham os desafios e a complexidade que impedem vítimas de deixarem lares abusivos.

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Agosto Lilás: o peso de romper com a violência em Guarulhos

A dura engrenagem da violência doméstica

O mês de agosto carrega a responsabilidade de pautar o combate aos abusos cometidos contra o público feminino em todo o território nacional. A campanha Agosto Lilás serve como um holofote para a prevenção, o suporte necessário e a efetivação de direitos fundamentais para quem sofre agressões dentro de casa. Quase duas décadas se passaram desde a sanção da Lei Federal número 11.340, conhecida popularmente como Lei Maria da Penha, promulgada em 2006. Embora o arcabouço jurídico tenha evoluído consideravelmente, a pergunta que ecoa na sociedade continua a mesma e carrega um julgamento cruel: por que a vítima simplesmente não vai embora?

O labirinto invisível que prende a vítima

Especialistas na área de proteção social e jurídica apontam que a decisão de abandonar um relacionamento abusivo não é um evento isolado, mas sim um processo longo e doloroso. O ciclo da violência envolve manipulação psicológica profunda, dependência financeira, medo de represálias contra os filhos e a falta de uma rede de apoio sólida. Para quem observa de fora, a saída parece simples. Para quem vive a realidade dos fatos, o cenário é um labirinto repleto de armadilhas emocionais e estruturais que dificultam a ruptura definitiva com o agressor.

A conscientização promovida durante este período do ano busca justamente desconstruir a culpa que recae sobre quem sofre as agressões. A cobrança social por uma atitude imediata da mulher acaba por isolá-la ainda mais, transferindo para os ombros dela a responsabilidade que deveria recair sobre o sistema de segurança e justiça. O trabalho de suporte em Guarulhos e no restante do país exige paciência, escuta qualificada e, acima de tudo, recursos práticos que garantam a subsistência e a segurança de quem decide dar o passo rumo à liberdade.

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