Brasil aposta em minerais críticos e mira autonomia industrial
Nova legislação federal sancionada em 16 de agosto de 2023 injeta bilhões em pesquisas e promete sacudir o parque fabril da Grande São Paulo.

O governo federal oficializou em 16 de agosto de 2023 a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, marcando uma guinada na forma como o país lida com suas riquezas subterrâneas. A estratégia foi desenhada para turbinar a busca, a extração e o refino desses insumos no território nacional, abrindo espaço para um aporte financeiro que pode chegar a R$ 7 bilhões voltados a projetos de beneficiamento da matéria-prima.
Fundos robustos e pesquisa geológica
Para bancar as iniciativas prioritárias, a gestão federal estruturou o Fundo Garantidor da Atividade Mineral, o FGam, contando inicialmente com R$ 2 bilhões injetados pela União, teto que pode escalar até R$ 5 bilhões. A pasta de Minas e Energia argumenta que a medida amplia o domínio técnico sobre o solo brasileiro, blindando as cadeias produtivas locais contra interferências externas. No embalo, o Serviço Geológico do Brasil viu seu orçamento saltar de modestos R$ 8 milhões para expressivos R$ 300 milhões, ganhando fôlego inédito para mapear o subsolo.
Não permitiremos que a história se repita. A riqueza do Brasil tem um único dono, o povo brasileiro
Soberania e o peso das terras raras
O plano também mira a qualificação de mão de obra, exigindo que universidades e institutos federais criem graduações voltadas para o setor, evitando a dependência estrangeira. O objetivo é evitar a exportação de minérios brutos a preços irrisórios, uma distorção criticada pelo Planalto em administrações passadas. Para coordenar o esforço, um decreto instituiu o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, encarregado de desenhar as diretrizes públicas da área.
Esses elementos são fundamentais para a fabricação de itens de alta tecnologia, veículos eletrificados, turbinas eólicas e equipamentos de defesa. O Brasil abriga atualmente o segundo maior estoque mapeado de terras raras no globo, somando 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China. Como apenas um quarto do território nacional foi devidamente escaneado geologicamente, a expectativa é que o potencial real seja ainda muito superior.
Reflexos diretos em Guarulhos
Como a região metropolitana e Guarulhos abrigam um robusto e diversificado parque industrial, além de polos tecnológicos, a nova diretriz federal abre margem para transformações locais. Fabricantes guarulhenses dos ramos automotivo e de tecnologia ganham a oportunidade de se conectar a cadeias produtivas mais integradas e nacionalizadas. Além disso, a forte demanda por especialistas qualificados tende a movimentar as instituições de ensino da cidade, impulsionando a capacitação técnica regional.
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