Casas Bahia aposta em corte drástico para estancar crise e pular abismo
Rede varejista entra em recuperação judicial, acumula passivo bilionário e descarta novos fechamentos após tesourada histórica em unidades.
A cúpula da Casas Bahia abriu o jogo nesta segunda-feira (17) sobre o terremoto financeiro que sacudiu a rede na semana passada, marcada por demissões e encerramentos de pontos de venda. Segundo a gestão, o tombo nos investimentos deve atingir 40%, enquanto a extinção de 298 filiais pelo país representa uma talhada de quase 30% na estrutura da companhia, configurando o maior corte já registrado na história recente do negócio.
Passivo bilionário e o salto para a recuperação judicial
A movimentação foi comunicada ao mercado na noite de domingo (16), formalizando o pedido de recuperação judicial para lidar com um passivo que chega a R$ 17,3 bilhões. Desse montante, mais de 90% corresponde a dívidas sem garantias, conhecidas como créditos quirografários, envolvendo cerca de 19 mil credores. O plano corporativo engloba ainda a alienação de fatias em ativos, além de reduções drásticas de despesas com aluguéis, logística e folha de pagamento, mirando uma economia total de R$ 2 bilhões até 2027.
Preferimos fazer assim porque resolve de uma vez e não gera mais ansiedade
A declaração foi dada pelo presidente da empresa, Renato Franklin, durante teleconferência com analistas, ao justificar que a tesourada nas unidades ocorreu em onda única e que não há planos para novas baixas de lojas no atual cronograma de transformação. O executivo pontuou que a evolução operacional recente não deu conta de sustentar os compromissos financeiros e que a alternativa jurídica serviu para aliviar o peso da estrutura.
A recuperação judicial é uma ferramenta dentro do plano de transformação da companhia. A evolução operacional da rede nos últimos anos não conseguiu bancar todos os passivos financeiros, a liquidez está bastante apertada e foi preciso utilizar esse recurso
Crédito travado e cenário macroeconômico sombrio
Antes de recorrer à justiça, a cadeia tentou alternativas via oferta de ações, cujo prazo se encerrou em abril, além de tratativas por linhas de crédito com instituições bancárias que acabaram não avançando. Agora, a organização estuda captar até R$ 1 bilhão em financiamento do tipo DIP junto a fundos de investimento. No horizonte macroeconômico, a avaliação é de que o consumidor segue acuado por juros elevados, endividamento crescente e pela concorrência acirrada por verbas, incluindo o avanço das apostas online.
Vemos um 2027 pior que 2026, vemos que o endividamento vai piorar, vemos que haverá criação de passivos para os consumidores e pensamos num plano para a empresa dimensionado para isso. Nosso cenário é bem pé no chão, esperamos isso até algo que nos traga razão para vermos um cenário melhor
Por fim, a diretoria financeira detalhou que o resultado líquido da rede sofreu um impacto contábil negativo de R$ 9,1 bilhões, impulsionado por valores não recorrentes ligados à reestruturação, contratos não performados e uma baixa de R$ 5,7 bilhões relacionada ao imposto de renda diferido.
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