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CIDADE

Casas Bahia recorre à Justiça após rombo bilionário

Gigante do varejo oficializa recuperação judicial um dia após reportar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026.

Redação Cafe com Gaza·
Casas Bahia recorre à Justiça após rombo bilionário

O Grupo Casas Bahia formalizou neste domingo (16) um pedido de recuperação judicial, menos de vinte e quatro horas após expor ao mercado um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões referente ao segundo trimestre de 2026. A medida, avalizada pelo conselho de administração e pelo acionista controlador da varejista, foi protocolada no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, conforme comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Fatores da crise e impacto em cadeia

A direção da companhia justificou o processo citando a severa deterioração das condições econômico-financeiras do país. Entre os entraves listados estão o patamar elevado das taxas de juros, a forte restrição de crédito, o encarecimento dos custos operacionais e a pressão exercida sobre o consumo e o capital de giro.

O requerimento na Justiça não se limita à marca principal, abrangendo outras nove empresas do conglomerado: ASAP Log – Logística e Soluções, ASAP Log, CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística, Cntlog Express Logística e Transporte, Globex Administração e Serviços, Cnova Comércio Eletrônico, Integra Soluções para Varejo Digital, Casas Bahia Tecnologia e Indústria de Móveis Bartira. Em 2024, a rede já havia tentado um formato extrajudicial quando acumulava cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas.

Números do balanço e enxugamento

O rombo financeiro divulgado no domingo superou em dezoito vezes o resultado negativo de R$ 555 milhões apurado no mesmo período de 2025. Em termos ajustados, a cifra ficou em R$ 978 milhões, alta anual de 76%. Do montante total do prejuízo, aproximadamente R$ 9,1 bilhões decorreram de eventos não recorrentes, tais como baixa de ativos, despesas de reestruturação, contratos não performados e efeitos ligados ao Imposto de Renda diferido. A receita líquida avançou 1,6%, alcançando R$ 6,97 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado recuou 9,4%, para R$ 518 milhões.

Diante da forte pressão sobre o fluxo de caixa e da auditoria da EY apontando incerteza sobre a continuidade operacional, a empresa intensificou o corte de custos. Até o encerramento de junho, 298 lojas haviam sido fechadas. O quadro de pessoal também encolheu: o grupo encerrou o mês com 30.117 colaboradores, registrando 1.622 postos a menos que no início do ano passado, além de novos desligamentos em massa relatados recentemente.

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