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CIDADE

Congresso enfrentará maratona para votar LDO e Orçamento de 2027

Atrasos na pauta legislativa obrigam análise simultânea das leis orçamentárias e colocam metas econômicas, como o piso salarial, sob o escopo do governo.

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Congresso enfrentará maratona para votar LDO e Orçamento de 2027

O cenário fiscal em Brasília ganha contornos de urgência com o acúmulo de pautas no Congresso Nacional. A proposta que detalha as contas públicas para o ano seguinte, conhecida como LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2027, tem entrega obrigatória pelo governo federal estipulada para o dia 31 de agosto. Contudo, como a votação da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) ficou para trás, os parlamentares enfrentarão a missão de analisar os dois textos quase ao mesmo tempo, atropelando o cronograma ideal de planejamento.

Metas e parâmetros econômicos na mesa

A LDO serve justamente para fixar as metas fiscais, as prioridades de gastos e as regras que vão direcionar o dinheiro público no período seguinte, funcionando como a fundação para a LOA. O projeto em tramitação (PLN 2 de 2026), enviado pelo Executivo ainda em abril, traz em suas projeções um salário mínimo de pelo menos R$ 1.717 para o próximo ano. O montante representa um avanço de R$ 96, ou 5,9%, em relação ao patamar vigente de R$ 1.621.

Além do piso salarial, o documento reúne indicadores macroeconômicos fundamentais para embasar o orçamento. Entre os parâmetros estipulados estão uma inflação estimada em 3,04%, avanço real do PIB (Produto Interno Bruto) de 2,56%, cotação do dólar a R$ 5,47 e uma taxa básica de juros fixada em 10,55%.

Os riscos da validação tardia

O descompasso no calendário traz consequências práticas para a gestão das contas. De acordo com o consultor legislativo Bento Monteiro, quando a diretriz orçamentária não é aprovada antes do envio da LOA, o Executivo elabora a peça orçamentária baseando-se nas próprias sugestões, sem o aval prévio do Congresso. O especialista aponta que essa ausência de validação impede, por exemplo, a exigência de separar despesas de políticas públicas específicas em classificações próprias.

Apesar de a votação tardia enfraquecer o peso da LDO na fase de concepção da proposta, ela não perde relevância para a execução financeira ao longo do ano. Hoje, os parlamentares demonstram muito mais interesse em mexer nas regras de execução do Orçamento do que nas normas de elaboração. As diretrizes de criação atuais já satisfazem o Legislativo, enquanto a execução com participação congressista segue como um mecanismo dinâmico e monitorado de perto por decisões anuais do Supremo Tribunal Federal.

Esforço concentrado e calendário apertado

Para dar conta da demanda em meio ao ritmo mais restrito imposto pelas eleições de outubro, a cúpula legislativa agendou períodos de esforço concentrado. Foram marcadas duas janelas de trabalho intenso: de 10 a 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro. O alinhamento entre o Senado e a Câmara dos Deputados busca assegurar que as votações cruciais avancem nas duas Casas na mesma semana.

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