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CIDADE

COP17 frustra ambientalistas e adia pacto global contra secas

Conferência da ONU sobre desertificação termina sem consenso obrigatório e empurra discussões cruciais para a próxima edição no Egito.

Redação Cafe com Gaza·
COP17 frustra ambientalistas e adia pacto global contra secas

A passagem da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação deixou um gosto amargo para entidades de preservação e analistas do setor. O evento internacional encerrou suas atividades sem conseguir firmar um acordo global obrigatório voltado para o enfrentamento dos períodos de estiagem extrema, jogando a responsabilidade para frente.

Empurrão com barriga e falta de pulso global

A grande decepção do encontro foi justamente a decisão de congelar os debates sobre um pacto internacional contra a escassez de água. Um especialista ligado ao Instituto Escolhas apontou que os governos participantes preferiram transferir as negociações para a COP18, que acontecerá no Egito. Essa inércia ocorre enquanto o planeta registra uma escalada contínua de desastres climáticos, com a Europa enfrentando cenários áridos históricos e quedas drásticas nos níveis do Rio Colorado, nos Estados Unidos.

A ambição sobre a seca se esvaziou na COP17.

Representantes de organizações internacionais alertam que a postura de empurrar o problema para daqui a dois anos vai gerar custos muito maiores do que apenas o tempo perdido, atingindo diretamente populações e estruturas financeiras ao redor do globo. O cenário ainda é agravado pelo avanço do fenômeno Super El Niño, que coloca regiões desde o Sul da África até a floresta amazônica sob ameaça de secas severas.

Resistência dos países desenvolvidos

A criação de um mecanismo multilateral específico para a seca é um pleito antigo de nações africanas, defendido há pelo menos três edições do evento. O argumento é que os fundos já existentes, como o Fundo Global para o Meio Ambiente, tratam o tema de forma muito ampla dentro da pauta de degradação de terras, sem o foco necessário.

No entanto, as nações mais ricas impuseram forte resistência a compromissos obrigatórios, preferindo o modelo de adesão voluntária. A União Europeia, por exemplo, evitou assumir obrigações financeiras externas, alegando que já precisa lidar com crises de escassez hídrica dentro de suas próprias fronteiras.

Alternativas paralelas surgem no evento

Diante da falta de avanços formais entre os governos, o evento serviu como palco para o lançamento de iniciativas alternativas. Uma delas é o Mecanismo de Investimento para Resiliência à Seca, que busca atrair até US$ 400 milhões em investimentos mistos, unindo cofres públicos e privados.

Também foi apresentada a segunda fase do Observatório Internacional de Resiliência à Seca, acompanhada pelo inédito Índice de Resiliência à Seca. A tecnologia tem o objetivo de servir como termômetro para que os países consigam mensurar com mais precisão a própria capacidade de prever, planejar e resistir aos períodos de seca intensa.

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