EUA cruzam a marca de US$ 40 trilhões em dívida e geram alerta global
O rombo fiscal histórico da maior economia do mundo reflete cortes de impostos, gastos militares gigantescos e pode respingar nos juros do Brasil.

A contabilidade pública dos Estados Unidos bateu um recorde indigesto ao ultrapassar a marca de US$ 40 trilhões pela primeira vez na história. Analistas econômicos apontam que a derrapagem fiscal é fruto de uma combinação indigesta de cortes de tributos direcionados aos mais ricos, escalada de despesas militares e o impacto de tarifas comerciais, além da inflação alimentada por conflitos internacionais.
Gastos militares e juros nas alturas
Manter a máquina de guerra americana funcionando custa cerca de US$ 1 trilhão por ano, peso que sufoca o orçamento federal. Ao mesmo tempo, o serviço da dívida disparou. Em 2021, os juros consumiram US$ 419 bilhões dos contribuintes norte-americanos, mas essa fatura mais do que dobrou e hoje atinge estratosféricos US$ 1,1 trilhão.
Especialistas explicam que esse salto nos juros reflete tanto a instabilidade inflacionária quanto as incertezas geradas pela postura externa da Casa Blanca, que pressiona os rendimentos exigidos pelos investidores nos títulos do Tesouro.
Calote está descartado
Apesar do número assustador, a possibilidade de falência soberana dos Estados Unidos não passa pelo radar dos especialistas. O argumento central é que o país emite a própria moeda e o dólar reina absoluto como reserva monetária global. Caso o mercado recuse os papéis, o Federal Reserve (FED), o Banco Central americano, tem capacidade de intervir comprando os ativos, estratégia já adotada em 2020 com uma expansão de quase US$ 3 trilhões no balanço em poucos meses.
A Secretaria do Tesouro dos EUA planeja dobrar as operações de recompra de títulos no mercado, elevando o montante de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões a partir de setembro. Economistas lembram que a dívida de US$ 40 trilhões — que coloca o endividamento em cerca de 100% do PIB, patamar próximo ao recorde de 106% registrado em 1946 — precisa ser analisada em perspectiva, já que os títulos do Tesouro continuam sendo vistos como o ativo mais seguro do planeta desde a Segunda Guerra Mundial.
Reflexos diretos no Brasil
O buraco fiscal da superpotência não fica restrito ao hemisfério norte. O cenário de descontrole tende a pressionar a economia brasileira, mantendo as taxas de juros locais em patamares elevados. Por lá, dois terços da dívida estão em mãos domésticas e US$ 4,5 trilhões pertencem ao próprio FED, o que blinda o país contra pressões externas imediatas.
O único risco real de calote seria estritamente político, caso o Congresso americano batesse pé e se recusasse a elevar o teto do endividamento. Até lá, a sangria continua acelerada: o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) previa que os US$ 40 trilhões só seriam alcançados em 2027, mas a marca foi estourada com anos de antecedência após a dívida engordar US$ 1 trilhão em apenas cinco meses.
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