Exportação para China cai, mas carne encarece no Brasil
Entenda por que o mercado do boi gordo subiu na segunda quinzena de julho mesmo com o recuo nas vendas para o mercado chinês.
Uma reviravolta no setor pecuário chamou a atenção na segunda quinzena de julho. Embora as exportações de carne bovina brasileira para a China tenham sofrido um tombo de 50%, com uma retração de 100 mil toneladas em relação ao mês anterior, o preço do boi gordo e do produto final subiu no país.
A matemática da oferta e da demanda
Apesar do impacto dramático no principal cliente internacional do Brasil, o rombo total nas exportações foi parcialmente suavizado pelo crescimento das vendas para outros mercados, como Estados Unidos e Chile, que ajudaram a enxugar o excedente. No balanço geral, as exportações totais encolheram 69 mil toneladas no período.
O fator decisivo para a alta de preços, contudo, esteve na produção interna. Dados preliminares do Serviço de Inspeção Federal apontam que a produção de carne bovina no Brasil também caiu 100 mil toneladas no mesmo intervalo de tempo. O resultado foi um déficit de 30 mil toneladas no mercado interno.
Impacto no bolso do consumidor
Com essa retração, a disponibilidade de carne bovina no mercado doméstico atingiu o menor patamar desde fevereiro de 2026. Para piorar a situação do consumidor, o poder de compra da população de renda básica sofreu erosão: se antes o salário mínimo garantia a aquisição de 1,9 cesta básica, o indicador derreteu para 1,68 em julho.
Especialistas do setor de commodities apontam que, caso o ritmo produtivo continue encolhendo a oferta de boi gordo e de carne, os preços tendem a se manter firmes no mercado nacional, contrariando a lógica simplista de que a menor venda para a China derrubaria os valores internos.
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