Fim das letras miúdas: projeto quer dados claros em redes sociais
Nova proposta em análise na Câmara obriga plataformas a revelarem uso de informações pessoais e treinos de IA em formato simplificado.

Moradores de Guarulhos e de todo o país que utilizam redes sociais e plataformas digitais podem ganhar em breve um reforço importante na defesa de sua privacidade online. Está em análise na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 3278/26, que pretende alterar a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) para impor transparência real aos internautas, eliminando a necessidade de decifrar termos de uso longos e cheios de armadilhas.
O fim dos termos intermináveis
A proposta determina que as empresas apresentem um quadro simplificado logo no primeiro contato, detalhando de forma direta o destino das informações fornecidas. O documento deve esclarecer se o conteúdo será empregado para fins comerciais, se haverá comercialização ou repasse a terceiros, e se textos, áudios e imagens dos usuários servirão para o treinamento de sistemas de inteligência artificial. Dados sensíveis, como biometria, geolocalização e informações de saúde, também entram na mira da exigência, acompanhados do prazo de retenção e de um caminho rápido para a exclusão definitiva.
Combate aos truques de interface
O texto busca desmantelar os chamados padrões obscuros e enganosos na internet, que manipulam o comportamento do consumidor por meio de design tendencioso e linguagem confusa para arrancar consentimentos automáticos. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) ficará encarregada de estipular o desenho e os parâmetros visuais desses quadros informativos.
Multas pesadas para quem desrespeitar
Para garantir que a regra não vire letra morta, o projeto estabelece punições severas. As companhias infratoras poderão arcar com multas de até 2% do faturamento bruto no Brasil — excluindo tributos —, com teto fixado em R$ 50 milhões por infração, sem a possibilidade de conversão da penalidade em simples advertência. Caso o deslize venha de uma gigante com posição dominante no mercado, o caso será imediatamente repassado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Controle total sobre cookies
As novas diretrizes também afetam o uso de cookies e rastreadores. As plataformas serão obrigadas a fornecer opções para aceitar ou recusar cada categoria de rastreio de forma individual, proibindo qualquer tipo de caixinha pré-selecionada. As finalidades de cada ferramenta deverão ser explicadas com clareza, separando o que é estritamente essencial para o funcionamento do sistema daquilo que serve apenas para publicidade.
Caminho no Legislativo
Atualmente, a matéria tramita em caráter conclusivo pelas comissões de Comunicação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei de fato, o projeto ainda precisa passar pelo crivo da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, aquecendo o debate sobre o controle da pegada digital no país.
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