Fundos imobiliários que superam a nova Selic de 14%
Mesmo com o patamar elevado dos juros, levantamento aponta opções na Bolsa que entregam dividendos acima da taxa básica.
A recentíssima manobra do Copom para posicionar os juros básicos em 14% ao ano ainda deixa um rastro de juro real robusto, beliscando quase 9% ao ano. Quem acompanha o mercado financeiro sabe que, mesmo com esse cenário adverso, um grupo selecionado de fundos imobiliários segue distribuindo proventos que deixam a nova Selic comendo poeira.
O cenário dos bilionários da Bolsa
Um estudo recente cruzou dados para analisar 34 fundos imobiliários que ostentam patrimônio superior a R$ 1 bilhão e que não registraram perdas nas cotas ao longo do ano. O resultado mostra que 8 desses gigantes entregaram um retorno nominal em dividendos em 12 meses acima dos 14% estabelecidos pela nova taxa básica.
Porém, a matemática muda de figura quando se lembra que os fundos imobiliários contam com a isenção de imposto de renda. Aplicando o desconto mínimo de 15% sobre os 14% da Selic, o ganho líquido real do investidor cai para 11,90% ao ano. Com essa correção, o número de fundos que bate o investimento tradicional salta para 20 entre os 34 avaliados.
Opções em destaque e o peso do CDI
Nomes como o VGIR11 lideram a lista com dividend yield de 15,98%, seguidos por alternativas como MCRE11 e IRIM11, ambos patinando na faixa dos 15% de retorno. A lista completa de gigantes avaliados inclui ainda opções como CPTS11, GTWR11 e KNUQ11, mostrando que há vida inteligente e rentável fora da renda fixa tradicional.
Quando a gente faz a conta do dividend yield de muitos fundos, eles estão rodando muito próximos de um CDI descontado a alíquota de imposto de 15% sobre a aplicação, inclusive fundos de tijolos
A avaliação é de especialistas do mercado, que apontam que fundos de papel e multiestratégia levam vantagem, mas alertam para a necessidade de comparar sempre a aplicação com a renda fixa já deduzidos os impostos.
Queda nas cotas e visão de longo prazo
O mercado tem sofrido pressões recentes devido à alta nos juros dos títulos longos do governo, refletindo no IFIX. No entanto, analistas ponderam que a desvalorização das cotas, combinada com a manutenção dos proventos, acaba elevando o dividend yield para quem compra agora. É o lembrete clássico de que essa classe de ativo exige estômago para o curto prazo e foco no médio e longo prazo.
Faz parte da estratégia de investimento nessa classe de ativos
A recomendação final para quem pretende surfar nessa onda é olhar além do retrovisor. O rendimento passado nunca foi e nunca será garantia de lucro futuro. Avaliar a qualidade da gestão, a governança, a solidez dos devedores nos papéis ou a localização dos imóveis físicos continua sendo o verdadeiro diferencial entre um bom investimento e uma armadilha financeira.
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