Indústria e centrais sindicais dizem que corte de 0,25 na Selic é pouco
CNI aponta juro restritivo há 55 meses; Força Sindical fala em oportunidade perdida
O quarto corte seguido da Selic, decidido nesta quarta-feira (5), foi bem recebido por entidades do setor produtivo, mas classificado como insuficiente para destravar a indústria.
A Firjan avaliou que a continuidade do ciclo é um sinal positivo, mas que o patamar ainda alto mantém o crédito caro. "O elevado custo de capital posterga investimentos, dificulta a modernização produtiva e limita a capacidade das empresas brasileiras de ganhar produtividade e competir nos mercados interno e externo", diz a nota, que cita o crescimento de apenas 0,4% da indústria de transformação no primeiro semestre, segundo o IBGE.
A CNI lembrou que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses e que a Selic está 3,6 pontos acima do que indicaria a Regra de Taylor, estimada em 10,4%. "A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação", afirmou a confederação.
Do lado dos trabalhadores, a Força Sindical também classificou a redução como insuficiente, argumentando que juro alto desestimula o consumo e compromete a geração de empregos. "Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar mais a economia", disse a central.
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