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CIDADE

Logística e infraestrutura apostam em IA e automação bilionária

Setor de transporte e portos mira eficiência, redução de emissões e novas tecnologias com foco em investimentos expressivos para os próximos anos.

Redação Cafe com Gaza·
Logística e infraestrutura apostam em IA e automação bilionária

O cenário de estradas, portos e ferrovias, historicamente associado a estruturas brutas de concreto e maquinário pesado, passa por uma reviravolta silenciosa, porém profunda. De acordo com projeções da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), os aportes voltados ao setor devem atingir cerca de R$ 300 bilhões em 2026. A guinada é impulsionada pela inserção de inteligência artificial, automação avançada, ciência de dados e novos insumos, estratégias fundamentais para combater gargalos históricos, cortar emissões poluentes e otimizar a operação.

Rodovias sem cancelas e com monitoramento inteligente

Entre as empresas que lideram essa transformação está a Motiva, administradora de importantes malhas viárias do país, como a Via Dutra, a Rio-Santos, a Castello Branco e a Raposo Tavares. Onde antes motoristas enfrentavam filas e paradas obrigatórias em praças de cobrança, a companhia implementou o sistema Free Flow, que já conta com 24 pórticos dotados de câmeras e sensores. A tecnologia identifica os veículos em frações de segundo, cobrando apenas pelo trecho efetivamente utilizado. A medida reduz em até 40% os custos operacionais e de arrecadação, além de aliviar congestionamentos e baixar as taxas de poluição ao eliminar a necessidade de frenagens e retomadas bruscas.

O setor está migrando de um modelo operacional que reage a eventos para outro capaz de antecipá-los

A estratégia da concessionária prevê destinar R$ 1 bilhão em inovação e tecnologia até o ano de 2035. As inovações também alcançaram o asfalto, com o uso de materiais reciclados, inteligência artificial e scanners a laser 3D para antecipar falhas na pavimentação com alta precisão. Em apenas um dos projetos executados em 2025, a iniciativa poupou 242 toneladas de cimento asfáltico, 6.631 toneladas de agregados e conteve a emissão de 34,5 toneladas de gás carbônico.

Portos e combustíveis sintéticos

No litoral norte fluminense, o Porto do Açu funciona como um verdadeiro laboratório a céu aberto para a transição energética. Em uma área de 130 quilômetros quadrados, o complexo abriga operações ligadas a petróleo, gás e mineração. Um dos destaques é o projeto DAC to Sea, parceria com a Repsol Sinopec Brasil voltada à captura de CO2 diretamente do ambiente para transformá-lo em combustível sintético naval. A planta piloto terá capacidade para absorver cerca de 5 mil toneladas de gás carbônico anualmente, gerando em torno de 300 litros por dia para testes em embarcações de apoio.

Nosso objetivo é seguir como uma plataforma de inovação aplicada capaz de acelerar tecnologias emergentes em ambiente operacional real

Integração multimodal e redes inteligentes

Na ponta da cadeia de armazenagem e transporte, a Ultracargo apostou na criação de corredores logísticos integrados para unir rodovias, ferrovias, dutovias e rotas marítimas. Com o reforço da engenharia digital, a empresa ampliou sua capacidade de estocagem de 955 mil para mais de 1,13 mil/m³ entre 2022 e 2025, expandindo de seis para nove o total de terminais e aplicando mais de R$ 1,2 bilhão em expansão. O uso mais intensivo de ferrovias cortou em cerca de 35% os gases de efeito estufa em trechos específicos, evitando o lançamento de 51 mil toneladas de CO2 na atmosfera anualmente.

Para coroar a digitalização da cadeia, o terminal da Ferroport passou a adotar a plataforma Dockflow em 2025. O sistema automatiza o planejamento de embarques de minério de ferro — que chegam por um mineroduto de 529 quilômetros desde Conceição do Mato Dentro (MG) — cruzando dados meteorológicos e operacionais em tempo real para eliminar planilhas manuais e agilizar a recepção de navios.

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