Ministro defende abertura comercial do Brasil em meio a atritos
Em evento na capital, pasta da Fazenda mira estabilidade fiscal, reforma tributária e juros civilizados diante de tensões com os EUA.

O cenário econômico internacional e os rumos da política financeira nacional ganharam novos contornos na segunda-feira, 17 de junho. Durante um evento realizado na capital paulista, o ministério da Fazenda colocou na mesa a necessidade de intensificar as relações comerciais do país com o exterior. O discurso oficial bateu na tecla da estabilidade fiscal, além de pincelar as expectativas em torno da reforma tributária e do patamar dos juros aplicados no território nacional.
Confiança externa e diversificação de mercados
A leitura apresentada por representantes do governo aponta que investidores estrangeiros ainda enxergam o Brasil com bons olhos, tratando a economia local como um refúgio seguro em meio às turbulências globais. Para manter essa percepção favorável, a estratégia passa por evitar a dependência excessiva de um único parceiro comercial, seja nações asiáticas ou norte-americanas. A ordem é diversificar e fortalecer laços estratégicos, pesando tanto os pontos fortes quanto as vulnerabilidades brasileiras.
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Atrito comercial e a Lei da Reciprocidade
Toda essa movimentação diplomática ocorre bem no meio de um cabo de guerra comercial com os Estados Unidos. O governo brasileiro iniciou trâmites formais para analisar a possível aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, mecanismo previsto na Lei nº 15.122, aprovada em 2023. A ferramenta serve para responder a barreiras unilaterais impostas por outros países e blindar as exportações nacionais de prejuízos.
A medida, contudo, gera calafrios no setor produtivo. A Câmara Americana de Comércio já veio a público alertar que retaliar os norte-americanos dessa forma pode trazer consequências indesejadas para o fluxo de investimentos e para o intercâmbio bilateral.
Contas públicas, impostos e o custo do crédito
No âmbito interno, o discurso econômico reforçou o bloqueio de orçamento e a imposição de limites para gastos obrigatórios como remédios amargos, mas necessários, para manter as contas públicas em ordem. Sobre a reforma tributária, houve o reconhecimento de que a reestruturação gera calafrios nas empresas, mas a aposta é de que o ano de 2027 trará a consolidação de um modelo mais eficiente.
Para fechar a conta do desenvolvimento, o governo bateu forte na tecla do custo do dinheiro. A avaliação é de que o país precisa alcançar taxas de juros consideradas civilizadas para destravar o crédito e garantir o fôlego necessário para o crescimento a médio e longo prazo.
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