Projeto da UNG leva alerta contra o feminicídio para evento em SP
Iniciativa Cadeira Vazia marcou presença no Summit Mulheres nas Profissões, nos dias 4 e 5 de maio, no Expo Center Norte.

Uma cadeira vermelha sem ocupante chamou a atenção de quem passou pelo Summit Mulheres nas Profissões, realizado nos dias 4 e 5 de maio no Expo Center Norte, na capital paulista. O móvel integra o projeto Cadeira Vazia, criado pela Universidade Guarulhos (UNG) em parceria com a Companhia Ser Educacional, o Instituto Êxito de Empreendedorismo e o Grupo Mulheres do Brasil, com o objetivo de escancarar a ausência de estudantes cujos futuros foram tragicamente interrompidos pelo feminicídio.
Reflexão sobre ausências e direitos
Durante o evento, que atraiu mais de 15 mil pessoas logo no primeiro dia com foco na ampliação de mulheres em cargos de liderança até 2030, a instalação ficou disposta nas arenas de debates e ao lado do Violômetro. Para a instituição de ensino, cada assento vazio representa uma vida ceifada que poderia estar construindo uma carreira, ingressando em uma graduação ou realizando projetos pessoais e profissionais.
O reitor da UNG, Yuri Neiman, destacou que a dinâmica dialoga diretamente com o direito fundamental ao acesso à educação e ao desenvolvimento profissional. Segundo o dirigente, a intervenção serve para recordar que muitas cidadãs jamais tiveram a chance de iniciar ou concluir uma formação acadêmica por causa da violência extrema.
Presenças de peso e repercussão
A iniciativa foi idealizada por Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, que defendeu a urgência de colocar mais mulheres nos postos principais de gestão empresarial logo na abertura. O encontro também contou com a participação da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia, que abordou a violência de gênero, apresentou estatísticas sobre homicídios cometidos por parceiros e familiares, e clamou por união na defesa da vida.
A campeã olímpica de ginástica artística Daiane dos Santos também parou para conhecer a instalação e pontuou o impacto visual da estratégia. Para a atleta, a dinâmica consegue traduzir o real tamanho das perdas humanas e fomenta uma reflexão profunda na sociedade.
Rotina acadêmica transformada
Fora dos grandes eventos, a Cadeira Vazia já faz parte do cotidiano de salas de aula da UNG e de outras faculdades ligadas à Ser Educacional. A proposta é manter o assento permanentemente desocupado e na cor vermelha para forçar estudantes e professores a encararem o problema todos os dias, provando que discutir o mercado de trabalho feminino passa obrigatoriamente por garantir o direito elementar de continuar vivas.
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