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CIDADE

Riqueza concentrada ameaça a democracia brasileira, aponta estudo

Relatório detalha como o abismo financeiro dita as regras na política e coloca o país entre os piores do ranking global.

Redação Cafe com Gaza·
Riqueza concentrada ameaça a democracia brasileira, aponta estudo

Um estudo divulgado em outubro de 2023 pela Oxfam Brasil joga luz sobre como o acúmulo extremo de capital no país corrói as estruturas democráticas. A pesquisa demonstra que o topo da pirâmide socioeconômica dita os rumos das políticas públicas para blindar seus próprios interesses, operando uma verdadeira captura das instâncias de poder.

Herança histórica e o cerco às decisões públicas

Intitulado Um Retrato das Desigualdades Brasileiras: Poder, Privilégio e a Captura da Democracia, o levantamento aponta que a dinâmica atual é fruto direto de heranças históricas ligadas à escravidão e à concentração fundiária. Desse modo, as elites conseguem exercer poder de veto sobre pautas essenciais e moldar pleitos eleitorais conforme suas conveniências.

O problema, contudo, passa longe de ser exclusividade nacional. Em âmbito global, o relatório Resistindo ao Domínio dos Ricos calculou que os ativos dos bilionários dispararam US$ 2,5 trilhões, alcançando a marca de US$ 18,3 trilhões. A análise internacional destaca ainda que indivíduos super-ricos contam com uma probabilidade 4.000 vezes maior de ocupar cadeiras na política em comparação ao cidadão comum.

O Brasil no topo do ranking da desigualdade

Já o Global Wealth Report 2026, produzido pelo banco suíço UBS, corrobora o cenário ao colocar o Brasil na quarta posição mundial em disparidade patrimonial. Os dados indicam que o país fechou o ano de 2025 com cerca de 386 mil milionários contabilizados em dólar. Em contrapartida, 69% da população adulta brasileira sobrevive na base da pirâmide com um patrimônio médio que não ultrapassa R$ 51 mil.

Apesar de registrar avanços pontuais, como a saída de quase 9 milhões de pessoas da linha de miséria, o ritmo para estancar essa sangria social segue travado. Para os especialistas, o sistema tributário nacional atua penalizando pesadamente quem está na base enquanto protege a cumulação de fortunas no topo, contando com forte blindagem jurídica e ideológica.

Novos atores e o perfil no poder

O cenário ainda ganha tração com a atuação de corporações de tecnologia e plataformas de apostas, as populares bets. Aproveitando-se de lacunas regulatórias, essas empresas maximizam lucros estrondosos e operam como potentes engrenagens de extração de renda e controle comportamental.

Por fim, a investigação mapeou que a alta burocracia estatal e as esferas decisórias do país, incluindo o Judiciário e o Executivo, continuam dominadas por um perfil bastante restrito: majoritariamente branco, masculino e rico. A Oxfam conclui que apenas transferências de renda de curto prazo não bastam, sendo imprescindível enfrentar as raízes patrimoniais, raciais e tributárias da desigualdade.

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