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CIDADE

A rotina exaustiva e os riscos dos entregadores de aplicativo nas ruas

Pesquisa e relatos mostram como funciona o trabalho sobre duas rodas nas grandes cidades, destacando ganhos, perigos e o peso da espera não remunerada.

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A rotina exaustiva e os riscos dos entregadores de aplicativo nas ruas

O mercado de entregas por aplicativos segue em forte expansão no país, atraindo milhares de trabalhadores em busca de renda e flexibilidade de horários. Dados de 2024 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o setor contava com 1,7 milhão de pessoas nessa modalidade, o equivalente a 1,9% dos ocupados no setor privado. Em apenas dois anos, houve um crescimento de 25,4%, com a entrada de mais 335 mil trabalhadores. Desse total, os motoristas de passageiros representam 58,3% (964 mil), enquanto os entregadores somam 29,3%, ou seja, 485 mil pessoas.

Autonomia e o peso do desgaste mental

Para um entregador de 22 anos que atua há seis anos na área, a principal vantagem sempre foi a liberdade para gerenciar o próprio tempo. Ele começou a fazer fretes para complementar a renda que antes obtinha em um lava-rápido e como barista ou garçom, mas logo percebeu que a atividade compensava financeiramente. "Vi que eu não precisava mais trampar em lugar nenhum quando vi que conseguia fazer muito mais dinheiro com entrega", relata.

Vi que eu não precisava mais trampar em lugar nenhum quando vi que conseguia fazer muito mais dinheiro com entrega.

Apesar da autonomia de escolher horários e dias de folga, o desgaste mental supera o físico na rotina das ruas. O jovem aponta que lidar com o estresse em estabelecimentos comerciais, com pedestres e com clientes consome mais energia do que pedalar. A renda média dos trabalhadores plataformizados, em período de referência, ficava em R$ 2.996 para jornadas superiores a 40 horas semanais, enquanto o rendimento médio geral da população brasileira atinge R$ 3.367 em 2025.

Riscos no trânsito e o tempo ocioso

A pressa para cumprir prazos e faturar mais expõe os profissionais a acidentes constantes. O entregador de 22 anos já sofreu dois acidentes, o primeiro após passar pela calçada para agilizar uma entrega e ser atingido por um motorista saindo de uma garagem. Ele recebeu suporte do iFood durante os dias parado. Outro jovem de 18 anos, que divide os estudos do ensino médio com as entregas após largar o emprego de jovem aprendiz, também acumula duas colisões no trânsito e admite que a pressa faz com que alguns profissionais arrisquem manobras proibidas.

A gente anda na calçada, anda na ciclofaixa, anda na contramão.

Outro grande gargalo da profissão é o tempo ocioso não remunerado. A inatividade forçada ocorre tanto na espera por pedidos nos restaurantes quanto na ponta final da entrega, onde o protocolo exige que o trabalhador aguarde até 15 minutos pelo aparecimento do cliente. No pior dos cenários, como em compras de mercado sem retorno do comprador, o entregador ainda precisa fazer o trajeto de volta para devolver os itens, acumulando prejuízos de tempo para novas rotas.

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